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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Deus existe?


Deus existe?

É sempre muito inspirador para qualquer pessoa falar sobre Deus, tanto os crentes quanto os ateus adoram explicar o porque Ele existe ou o porque ele não existe. Formulam teorias baseadas na origem do universo, como se o ser humano tivesse capacidade de compreender a origem do universo, como se estivéssemos lá, sentados assistindo de camarote. Utilizam como parâmetros os grandes pensadores, como se eles fossem autoridades da verdade, como se a verdade pertensesse a eles e a mais ninguém. É engraçado como a maioria dos ateus não acredita em Deus, mas consideram grandes pensadores como verdadeiras divindades. Já os cristãos preferem usar a bíblia sagrada, toda a palavra que vem acompanhada de sagrado não pode ser sagrado, os hebreus escrevem um livro contando sua história e o ser humano o coloca em um pedestal com o argumento de que "foi um livro inspirado por Deus", como se as poesias não fossem um sopro de Deus no coração dos poetas, como se Deus se limitasse a um único povo, a um único livro.
Nós precisamos racionalizar tudo, se algo tem um nome, ele passa a existir, se não tem nome a coisa simplesmente não existe. Damos nomes aos objetos, as pessoas, aos sentimentos aos deuses. Depois criam histórias fantásticas e maravilhosas sobre sua origem, cada povo inventa seu próprio panteão, todos foram movidos pelo mesmo vazio, pela mesma razão, todos estão tentando tapar um buraco, responder a uma "pergunta irrespondível", depois se fecham e travam guerras santas, já que não podemos explicar aos outros o quanto verdadeiro é nosso Deus, vamos matar os infiéis. Vejo essas guerras santas não apenas na história, mas no nosso dia-a-dia, as pessoas querem te fazer acreditar no Deus delas, ou querem ridicularizar suas crenças, a descrença é também uma grande crença, a crença de que nada existe além do que se pode ver, e assim como todas as outras crenças, ela será imposta e os crentes na descrença lutarão por ela!
No final, os crentes continuam todos perdidos, pois tudo que eles podem fazer é acreditar, "ter fé" como dizem, não há como provar absolutamente nada! Se houvesse como provar, a fé não se faria necessária, então os pobres diabos continuam acreditando em qualquer coisa, acrediram em deuses, anjos, demônios ou acreditam que não acreditam em nada, os ateus também tem muita fé em sua verdade, são pessoas de fé! Acreditam, tem fé, mas esquecem do principal, esquecem de sentir!
O sentir é maravilhoso, ele não precisa de crença, não precisa de fé, você abandona todas as explicações racionais, abandona a guerra santa e simplesmente aproveita o momento, para de buscar Deus como um cientista, e neste momento Deus aparece, aparece numa música, aparece numa flor, aparece num momento de alegria, de tranquilidade, num momento sem passado nem futuro, depois de sentí-lo, você pode até tentar definí-lo com alguma palavra, mas a palavra é falha e limitada, Deus é infinito e não pode ser aprisionado em uma palavra, mesmo a palavra "infinito" e muito limitada para definir algo indefinível como o infinito. Esqueça! Você nunca poderá compreender o infinito, é como tentar engolir toda a agua de um rio, o rio é muito maior que seu corpo, ele não para e está morrendo no mar ao mesmo tempo em que nasce em algum outro ponto, mesmo que você conseguisse engolir todo ele, muito dele já morreu e muito dele ainda está para nascer, seria uma tolice tentar, mas você pode entrar no rio e sentí-lo passar pelo seu corpo, pode dar um gole de suas águas e sentir seu frescor. Portanto, pare de tentar explicar Deus, é apenas uma palavra, utilize a palavra sem deixar que ela te domine, pare de tentar provar a inexistência de Deus, quem sente Deus não vai deixar de sentí-lo, você pode até quebrar os argumentos lógicos, que dificuldade existe em provar que Deus não existe? Qualquer um consegue fazê-lo, é fácil, é como provar que o amor não existe, você consegue com palavras, mas o dia que se apaixona compreende o quanto suas palavras foram limitadas.
Apenas sinta, se possível não o nomeie, mas se ainda assim sentir a necessidade, pode chamá-lo de Deus, ele não liga para nomes, como está escrito em uma das poucas passagens sensatas da bíblia: "Eu sou o que sou", então, chame-o como quiser, tudo, nada, Zeus, Deus, zen.
Eu particularmente prefiro a palavra Tao para descrever essa sensação, mas faça como quiser, desde que pare de se frustrar buscando racionalizar em algo que jamais poderá ser aprisionado!
Não se limiete a responder ou perguntar "Deus existe"?

"(...)Eu não sei seu nome.
Eu chamo-o Tao.
Por falta de uma palavra melhor, eu chamo-o grande."

Lao Tsé

2 comentários:

Mateus disse...

Belas palavras, Césão.

Concordo plenamente, alias,há pessoas que racionalmente não acreditão em Deus, mas percebemos como elas esão bem mais proximas Dele, doq muita gente q diz "acreditar"...

Kamilly disse...

César, muito bom o texto, penso assim também, enquadra-se nisso também as pessoas "virtuosas" que são religiosas mas que tem muito menos ética que pessoas que não tem religião. Muitas vezes ter religião ou dizer que acredita em Deus é um forma de dizer que tem ética, ou se incluído e aceito em um grupo.
Parabéns pelo blog, abraços
Kamilly Cordeiro