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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Filosofia de boteco




Filosofia de boteco


Descartando por um momento a ordem linear e compreensível de um texto, quero tomar a liberdade para ser um pouco mais profundo do que sou de costume, peço licensa para ser confuso (mais que de costume).
Onde a sociedade começa e você termina? Quem sabe responder a essa questão? Acredito que esse é o grande desafio, se encontrar, debaixo dos egos, debaixos das múltiplas personalidades, existe alguém, a sociedade o sufocou, na verdade você o sufocou, com toda sua intelectualidade, com toda sua razão, com suas explicações, e agora aqui estou eu, usando a razão para explicar o inexeplicável, tentando organizar idéias caóticas, rotulá-las de alguma forma para que através da matemática das palavras se desperte um sentimento libertador, não só em quem lê, mas em mim mesmo, pois quando eu escrevo, escrevo para mim, tudo o que digo aqui é voltado para mim também, neste ponto sou bem egoísta e ao mesmo tempo generoso, quero dividir, quero comunicar, tenho essa necessidade bizarra, quando descubro algo quero que todos saibam. Certa vez achei um pássaro morto e levei ele para a sala de aula, ele estava em decomposição e a sala ficou cheirando podre, mas a professora havia dito que a gente podia compartilhar nossas descobertas com os amiguinhos, e aquilo para mim era novo, um animal se decompondo, como acontecia? A morte fascina o ser humano, mas naquele mesmo dia descobri que algumas verdades são inconvenientes, algumas verdades fedem!
Tive que levar minha descoberta para bem longe, e depois daquilo aprendi a lição, o ser humano quer descobrir, uma pessoa inteligente é curiosa por natureza, mas poucos aguentam a verdade, a verdade na maioria das vezes fede e é melhor ser deixada de lado, tudo é mais fácil de ser resolvido no quadro negro, por isso simbolizamos, por isso criamos palavras, por isso abstraimos!
Outro fato interessante, sempre tive uma dificuldade imensa de compreender abstrações, nunca me dei bem em matemática justamente por isso, sempre desprezei a arte abstrata, depois de muitas explicações e de torrar a paciencia de meus professores da faculdade pude finalmente compreender a abstração, para mim as coisas sempre foram práticas, se não posso sentir, ela simplesmente não existe, e para sentir ela tinha que ter uma ligação direta e íntima com a minha mente, não bastava uma representação, um número, uma cor, uma descrisção, meus sentimentos eram extremamente pessoais e não precisavam de formas para descrisção, a abstração é um desespero que o homem tem em tentar fazer o outro entender o que se passa em sua mente, uma maneira de explicar e racionalizar algo que está indomável dentro de seu ser. Eu tenho o dom de olhar uma pessoa e saber o que ela sente, mas não tenho o dom de sentir o que ela sente através de uma palavra, através de um "eu te amo"! O amor, o que é amor? Quem ama se sente pleno, quem se sente pleno não precisa explicar nada para ninguém, então porque esta palavra foi criada? Obviamente foi criada por alguém que não amava, se a pessoa não amava, como pode criar a palavra? Paradoxal, não? Até hoje não compreendo muito bem quando sinto ciúmes e inveja, quando era pequeno achava que eram palavras sinônimas, talvez para mim sejam, pois ambas representam uma insegurança em meu ser, mas algum otário resolveu dar sentidos diferentes, e o que era mais simples se complicou, agora não tenho um sentimento, tenho dois, agora não sou simplesmente inseguro, sou ciumento, sou invejoso, querem definir até nossos sentimentos, a razão irá definir tudo na sua vida se assim você permitir!
A razão é paradoxal e quando estamos pensando estamos dentro deste paradoxo, um pensador é sempre um perdido, não há nada errado em se perder em pensamentos, desde que a gente tome consciência e saiba cessar a mente, isso é extremamente necessário, dar um descanso e esquecer todas as questões filosóficas. Essa é a verdade, aí você encontra você, aí você abandona suas múltiplas personalidades e quando tudo isso se vai o que sobra é exatamente nada! A verdade absoluta que todos tememos, a solidão que é a origem de todo seu medo (pretendo voltar neste ponto em outro post), você se encara e vê que você não existe, não da maneira que foi preparado para existir, você é apenas um fruto do meio, tudo é cópia, tudo é releitura, tudo são abstrações, a realidade é muito mais profunda e incogniscível, incompreensível, só podemos sentir, não podemos explicar! Você pode compor uma música, pode pintar uma tela abstrata, pode inventar uma nova palavra, ou escrever um poema inteiro, tudo isso para tentar descrever um sentimento que é só seu, você tenta gerar artificialmente este sentimento na outra pessoa, mas é em vão, não dá certo, isso nos torna únicos, e é aí que mora você, é isso que somos por debaixo das máscaras! Só podemos ser assim em uma única condição: Na solidão!
Vou deixar minhas idéias soltas por aqui, desculpem a bagunça, não reparem não!
Mais uma vez, em vão tento expressar algo, algo que talvez só eu entenda, existem coisas que são feitas só para gente sentir ou talvez só para serem ditas tomando umas e outras em um boteco!

2 comentários:

Edna disse...

Este foi o post que eu mais gostei, de todos que eu li aqui. Traz alguns tópicos muito profundos, como:"poucos aguentam a verdade, poe isso abstraimos" ou "a solidão é a orígem de todos os medos". Vou seguir teu blog, e te convido a conhecer algmas das minhas idéias em http://ekletiko.blogspot.com/

Edna disse...

Olá Cesão, fiz um post no meu blog baseado neste seu texto. Espero que não se importe. Passa lá e confira, depois me conta o que achou: http://ekletiko.blogspot.com/

Abç.