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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Sonhos e Alucinações


Sonhos e Alucinações

Não só dos sonhos noturnos nossa alma necessita. Não devemos nunca nos esquecer de sonhar acordados, mas não falo aqui sobre aquele estereótipo de sonhador que vive com a cabeça nas nuvens e os pés fora do chão, falo sobre o sonhador ponderado, que reconhece e principalmente aceita a realidade tal como ela é, sem perder sua ternura.

As pessoas normalmente demoram muito para se acertar, ou estão em um extremo, ou estão no outro, raramente equilibram-se no meio termo, demoram a encontrar o "caminho do meio" como Sidharta Gautama nomeou este estado de plenitude. Ou seja, hora estamos nas nuvens, hora estamos com a cabeça abaixada olhando para o chão, ou sonhamos desvairadamente ou nos afogamos em um pessimismo absurdo ao qual insistimos chamar de realismo. É justamente por isso que a felicidade parece muitas vezes uma criança fujona, ela existe dentro de nosso peito, no fundo de nossa alma e nós muitas vezes não paramos para ouvir sua doce voz, ao contrário disso, afugentamos ela com nossas próprias alucinações que normalmente são confundidas com sonhos, mas como podem ser sonhos se prejudicam nossa própria alma? Para agradar a essa criança chamada alma, tudo que temos de fazer é simples: Aceitá-la tal como ela é. Está aí a diferença, está aí o "caminho do meio"!

Portanto, existem os céticos e seu "pessimismo-realista" que simplesmente ignoram a existência de uma alma e limitam seu mundo aos estímulos físicos, existem os alucinados e seus "sonhos-fuga", ao contrário dos céticos eles fogem do mundo real e se aprisionam em suas próprias mentes e por fim existem os poucos sonhadores, pessoas que escutam sua alma com respeito e aceitação.

Os céticos estão por toda a parte, é muito fácil encontrar um deles, normalmente rancorosos e sempre se acham grandes batalhadores, sua vida limita-se ao trabalho e a suprir suas necessidades básicas de seu corpo animal, como estamos aqui para debater os sonhos, ignoremos os não sonhadores. Os alucinados usam seus sonhos como forma de fuga, já que a realidade não os agrada, resta a eles este doce espaço em suas mentes, onde tudo é perfeito (como a sociedade quer) e seu ego pode ser falsamente alimentado, porém em seus momentos lúcidos são tomados por uma tristeza e auto-piedade indescritíveis. Pessoas assim normalmente tendem a tornar-se depressivas, apáticas e socialmente debilitadas, o que chega a ser um paradoxo, "sonhos " trazendo infelicidade e sofrimento. E por fim, os raros sonhadores, são pessoas auto-suficiêntes e decididas, não sonham por necessidades do ego, mas sim pelo prazer de ouvir a voz da alma, a diferença entre os sonhos deles e os sonhos dos alucinados é simples: Eles não anseiam, eles desfrutam, eles não sonham para compensar frustrações, eles não esperam nada de seus sonhos além de o prazer de sonhar e de imaginar algo melhor, sabem que tudo depende de suas energias e os sonhos são um caminho para a fluência dessa energia positiva, portanto não se preocupam.

Pense nisso, seus sonhos devem trazer a você energias positivas e essas energias trarão a realização de seus sonhos, não se alucine, não escute os desejos megalomaníacos de seu ego, mas sim os sussurros de sua alma. Uma pessoa pode sonhar com uma vida de farturas e riquezas de duas maneiras diferentes, comportando-se como uma criança mimada que quer tudo na hora e se frustra quando seus sonhos (alucinações) não condizem com sua realidade, ou comportando-se como um sonhador, aceitando seus defeitos e as peculiaridades de sua alma, vislumbrando algo melhor e celebrando a felicidade e satisfação por saber que o mundo está aos seus pés.

Aceite a sí mesmo e a sua realidade sem tristeza ou auto-piedade, aceitando a sí mesmo, terá uma nova percepção sobre seus sonhos. Sonhe com a alma, sem se importar com os padrões pré-estabelecidos, seus sonhos não tem limites, coloque a sí mesmo dentro do sonho e não a imagem que a sociedade criou de você, isso é alucinação e não-aceitação, se o fizer desta maneira, estará negando a sí mesmo em seu próprio sonho e ao invés de dar um passo a frente para realizá-lo, estará vergando-se para a realidade até mesmo dentro de um sonho. Em outras palavras coloque os pés no chão e sonhe!

9 comentários:

Kamilly disse...

Querido amigo, ombro de meus dramas
fiz um blog pq nao tenho nada melhor para fazer, adcionei vosso blog nos favoritos, faça o mesmo e passe por lá.
Até mais

Grazi disse...

Pelo que entendi, diz para sermos um pouco de cada?

Meio cético e meio sonhador demais?

Pois é.. Esse é um equilibrio complicado...

Grazi disse...

Na teoria isso parecetão fácil.

Cesão disse...

É porque deveria ser fácil!
Mas obviamente nós complicamos tudo!
Nada é fácil no começo, as coisas começam assim mesmo, parecem difíceis, quase impossíveis!
Como tocar um instrumento, ou desenhar, ou aprender a dirigir, parece que a gente não nasceu para aquilo e que nunca vamos pegar o jeito, mas com o tempo e com muita prática, as coisas vão facilitando e um dia a coisa flui naturalmente!
Bjão!

Grazi disse...

Mas sempre tem um lado que pesa mais, seja o cético ou o sonhador.

...

Cesão disse...

Por isso Buda alertou sobre o caminho do meio, sobre o equilíbrio.
O peso das coisas está somente na sua cabeça, as coisas são o que elas são simplesmente.
O que alguns podem chamar de sonhos, outros chamam de realidade.
Cético ou sonhador é um ponto de vista muito pessoal. Nenhum dos lados deve pesar mais ou pesar menos. O que tentei sugerir alí foi simplesmente aprecie os sonhos, sem se desligar da realidade, enxergar a própria realidade como se fosse um sonho. Viver o real como se estivesse sonhando!

Ne disse...

Pensamentos óbvios, não?
O medo de muita gente é acordar um dia e perceber que desistiu dos próprios sonhos para viver um rótulo de felicidade que não é seu... Aceitar os rótulos dos outros e se tornar responsável e viver a felicidade sem graça que o mundo prega (talvez isso seja crescer).
O futuro dá medo por causa disso, não sabemos se viveremos até lá... nossos sonhos podem morrer junto com nós mesmos e nós continuamos uma vida que não é nossa...

Cesão disse...

Pois é Ne!
Tão óbvio que poucos enxergam, tão simples que é desprezado!
Quantos de nós não levam uma vida que não é deles, gastando seu tempo para serem aceitos pela sociedade, ao invés de contentar os sonhos de suas próprias almas?
E quantas vezes nós mesmos não caimos nessa armadilha chamada ego, justamente por não enxergar o óbvio?
O ego nos cega!
Depois dizem que o amor é que é cego

Edna disse...

Olá Cesão, conheci teu blog através da comunidade RP, gostei dos textos.
Realmente, nosso ego exigente ora nos impele à megalomania, ora nos deixa como cães miseráveis.
Equilibrio é fundamental, e passa a valer a pena viver a vida plenamente.