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domingo, 22 de fevereiro de 2009

Sophie


Este é um antigo sonho que escrevi já tem alguns anos. Gosto muito dele, e quero compartilhá-lo:

Sophie


Sonhei que vi um cientista inventar um robô, no começo fiquei com medo e repudiei a idéia, aquele monte de fios e engrenagens expostas se mexendo por vontade própria não me agradou nem um pouco, mas depois de terminada a criação, todo aquele monte de fios e cirquitos estavam por debaixo da pele de uma linda garota. Eu gostei e me envergonhei por ter repudiado aquela linda garota, afinal de contas, se arrancarem minha pele o que sobra é muito pior que um monte de fios engrenagens e circuitos!

Logo comecei a conversar com ela e passeamos pelas ruas, e senti que ela era mais humana que os próprios seres humanos, parecia curiosa, interessada em tudo a sua volta e agia com muita ternura. De algum modo que apenas um sonho poderia explicar me apaixonei por ela e ela por mim e eu a chamei de Sophie (Sofí). E assim Sophie e eu estávamos felizes um ao lado do outro, simplesmente desfrutando de boas conversas e um da companhia do outro.

Ela tinha muito a aprender e sempre sorria quando eu lhe ensinava algo novo, dizia que gostava muito de mim e parecia muito afetuosa também e eu sentia que ela precisava de minha companhia e me senti acima de tudo, muito importante para ela.

Porém esse mesmo cientista apareceu e me explicou que Sophie na verdade não possuia sabedoria alguma (ao contrário do significado do nome Sofia ou Sophi em francês, ambos significam sabedoria), me disse que tudo que ela possuia era uma inteligência artificial, e que por mais que se assemelhasse aos nossos sentimentos, tudo não passava de uma simulação, uma mentira pré-programada.

Me senti muito triste ao saber disso, e acima de tudo muito bobo por ter me apaixonado por um ser que não me correspondia de verdade, me senti manipulado, mas não consegui ignorar o sentimento que tinha. Após pensar um pouco concluí que os chips dela e meu cérebro funcionavam da mesma forma, ambos eram pré-programados para garantir a integridade de nossos seres, ambos funcionam a base de impulsos e ausência de impulsos elétricos gerando informações 0 e 1, tudo e nada, yin e yang, e então lancei a questão ao cientísta:

- Será que nossos sentintimentos não são apenas uma simulação também?

E ele respondeu:

- Somos diferentes, essa máquina pode jurar que sente o que sente, mas na verdade não sente!

E eu perguntei:

- Pode provar isso? Pode me provar o que você sente?

Depois disso o sonho se nublou um pouco em minha memória, apenas me recordo de ter visto os chips de Sophie espalhados por cima de uma mesa, desmontados e mortos, como um corpo humano esquartejado.

8 comentários:

Cibele disse...

Olá. Foi um sonho bonito e triste também. Bem filósofico, por sinal. Dizem que os sonhos são importantes, mensagens do nosso inconsciente para nós. Parece que seu Eu queria te mostrar alguma coisa. Espero que você tenha conseguido pegar o presente.

Paz profunda.

Ana Karina Fainascki Panzoni disse...

Olá!!! Cesar,

Vim agradecer o seu carinho e atenção. obrigada pela visita e comentário. adorei suas palavras.

beijinhos,
Karina.

Carlos disse...

Que sonho, hein?
Bem filosófico, como disse a Cibele.
Eu já me fiz essa pergunta sobre os sentimentos e confesso que, como no seu sonho, as coisas ficaram nubladas e eu acabei deixando pra lá. Algumas perguntas a gente passa a vida inteira se fazendo e a resposta nem sempre é a mesma...

Quanto ao seu comentário no meu blog, eu sou defensor do ócio criativo. Se dividíssemos bem o trabalho e produzíssemos apenas o necessário, sobraria tempo para as outras coisas importantes da vida, as que valem realmente à pena.

Um abraço, Cesão!

Lorena disse...

Cyber-Galatéia.

Estranho, tive pensamentos e interpretações contraditórios, mas o que se sobressai é algo que pode não fazer sentido para você. Se fossemos ágrafos, ou ainda mais, na inexistência de palavras, não seríamos seres mais admirados, surpreendentes e satisfeitos? Faz algum sentido para você que esta pergunta tenha se sobressaído dentre tantas outras que tinha para fazer a respeito deste "sonho".

Claro que há aquela outra: "a mulher perfeita, Cesar? Aquela que você tem tanta difildade de assumir ser a mulher perfeita para você? Um sonho cibernético,pensamento e conceitos moldados por você? Linda, um poço vazio, um receptáculo no sentido mais amplo da palavra, que o seu combate íntimo bom-senso x machismo não permite admitir?"

Outras idéias sobre inteligência artificial e humanidade que não consegui formular, voltaram a submergir.


Saudade. Abraço.

Ana Karina Fainascki Panzoni disse...

Olá!!! Cesar,
tudo bem?

vim agradecer seu carinho e te visitar. seu blog está muito belo.
no meu blog tem selo para você.

Beijinhos,
Karina.

Cesão disse...

Obrigado Ana, Cibele e Carlos pelos comentários!
Sejam sempre bem-vindos!
Nem sempre é possivel encontrar razões, mas sempre podemos tentar e principalmente, sempre poderemos sentir e intuir o que é significativo, portanto eu acho os sonhos importantes, pois são intuições de nosso eu, um espelho de você mesmo!

Em breve postarei algo novo por aqui, estou um pouco ausente!
Voltem sempre!
Adoro todos os comentários!

Cesão disse...

Lorena,

Faz muito sentido para mim essa pergunta que se sobressaiu, pois eu também, constantemente me faço essa mesma pergunta.
As palavras são meros intrumentos para representar as sensações, mas quem pode garantir que essas sensações estão sendo bem interpretadas e devidamente comunicadas?
A razão acaba com a graça das coisas!
As palavras deixem de ser intrumentos para comunicar emoções e tornam-se chefes de nossas emoções, mas isso é reversível, acredito eu! Sempre me esforço para que as palavras sejam minhas escravas e não o contrário!

Quanto a "mulher perfeita" e ao meu "machismo", isso tem mudado muito, mesmo porque esse texto é bem antigo, do meu antigo blog, esses conceitos já mudaram bastante, mas é claro que isso conta muito. A eterna busca pela minha outra metade, tão comum a todos nós acabou! Encontrei a minha outra metade dentro de mim mesmo e espero que não apareça mais ninguém para tentar me roubar essa minha metade! =P

Beijão!
Saudades e volte sempre!

Lorena disse...

Por vezes, muitas, me admiro com a coisas tão sua de ser-acreditar-buscar, afim das harmônicas pinceladas finais.

Lendo o meu comentário acima, assustei. Alumbrei.

Hahahaha

Acho que não penso sozinha, vou assim me fazendo em cima do pensamento alheio, em aceitá-lo, ponderá-lo, quais e tais argumentos bons ou falhos, mas pensar que é bom, nada.

Tá vivo, ainda?

beijos