mapa

sábado, 9 de maio de 2009

Desatando nós


A ausência que se fez presente por muito tempo neste blog é interrompida por um lampejo, uma nova percepção que é na verdade uma síntese de muitas percepções anteriores, uma conclusão. As vezes, quando não tenho nada de bom para dizer, prefiro calar, ou talvez quando me falta a vontade de compartilhar, deste modo procuro sempre a sinceridade, não apenas com os leitores, mas comigo mesmo. Porém hoje, me caiu mais uma ficha, minha vida flui melhor e acabo de perceber o porque. Desfiz alguns nós.
Os nós são conflitos que temos com a realidade, conflitos em aceitar as coisas tais como elas são, olhar o mundo com o olhar apurado da alma e não com o olhar esquizofrênico da mente. As coisas são o que são, quer você goste ou não. As pessoas são só as pessoas, não são extenções de sua vontade, não há porque depositar nelas expectativas, elas falham e você não pode reclamar, porque você também falha! E é aí que mora a beleza da vida, a beleza da falha, a beleza de se permitir errar. Isso não aprendi comigo apenas, aprendi ao aceitar humildemente muitos conselhos de pessoas de bom coração, aprendi ao aceitar minhas próprias falhas e ao abandonar o desejo de mostrar para o mundo uma auto-imagem minha cheia de fantasias. As críticas são dolorosas quando não conseguimos compreende-las, mas se você as compreende, elas são como guias, vocês destila delas algo de bom. Lembre-se, nem todas as críticas são verdadeiras e nem todas elas são falsas, cabe a nós encará-las com muita humildade no coração, deixando de lado as mágoas e a auto-imagem.
Quando encaramos a vida sem grandes pretenções, sem ambições ou desejos, sem comparações, nos sentimos mais plenos, mais tranquilos. A alma precisa disso para existir, precisa que você deixe de lado as expectativas, ela precisa também que você se permita errar, errar sem culpa. Se tem vontade, simplesmente faça! Ponderar é diferente de se segurar. Ponderar não é ter medo de errar, muito pelo contrário, é pensar na melhor forma de enfrentar o desafio, de encarar o obstáculo, e no final você percebe, vencendo ou não o obstáculo, que ele nunca existiu de fato, que o obstáculo é apenas uma projeção mental, um problema só existe na sua mente, na sua falta de capacidade em aceitar a realidade, na sua própria falta de percepção. Portanto, não existe erro ou acerto, existe apenas o experenciar, não existe culpa, existe uma alma dentro de você, sedenta pela vida!
Quando não estamos plenos, sentimos os nós da vida. Esses nós nada mais são do que conflitos, conflitos entre o interno e o externo, iluminar-se é simplesmente eliminar esses conflitos, eliminar as dificuldades em ver as coisas como elas são, sem dramas, sem tristeza. Quando criamos expectativas sobre uma pessoa por exemplo, estamos querendo que ela seja o que nossa mente criou e não o que ela é. Isto é um nó!
Quando ficamos remoendo uma situação que já se passou, estamos desejando que o tempo volte, ficamos recriando a situação como ela "deveria" ser, estamos idealizando o que segundo nosso ponto de vista limitado "deveria" ser o "correto". Isto é um nó!
Quando damos força as opiniões alheias sobre nossa pessoa, alimentamos um desejo doentil de transformar uma auto-imagem em realidade. Isto também é um nó!
Os nós sempre são conflitos do que achamos que deveria ser com o que é de fato a realidade. Uma dificuldade em aceitar o mundo, uma vontade doentia em transformar o mundo em uma extenção de nós mesmos. Isso gera amargura, depressão, raiva, sentimentos muito negativos, pura alucinação!
Mas quando escolhemos o outro lado, o lado da aceitação, simplesmente não esperamos nada, nem do mundo, nem dos outros e nem de nós mesmos, respeitamos nossos limites com humildade, pois esta é a verdadeira humildade, não existe humildade maior do que se aceitar como é, sem esperar elogios, sem se magoar com as críticas. Deus disse para Moisés: "Eu sou o que sou." Uma resposta autêntica, despretenciosa, humilde, taoísta, zen...
O Zen budismo todo é baseado num conto sobre a lótus, onde Buda pergunta para todos os seus discipulos, com uma lótus na mão, o que eles estão vendo. Entre poemas, citações e filosofias metafísicas, um monge simplesmente responde o que Buda esperava ouvir: "Uma lótus"
Não precisamos de filosofias grandiosas e magníficas, não precisamos complicar, justamente pelo contrário, precisamos descomplicar, parar de querer entender tudo e nos fazer entender. Uma lótus é uma lótus, você é o que é! Simples assim! Está tão na cara que somos incapazes de perceber, é tão fácil!
Os conflitos que nos distanciam da realidade são essas complicações que nossa mente cria, é sempre uma dificuldade de aceitar o que está fora, é querer controlar, é desejar que o mundo seja sua vontade e semelhança é querer que todos pensem como você, isso é o mais puro egoísmo!
Olhe com os olhos da alma, olhe as coisas simplesmente como elas são e não como deveriam ser segundo sua pretença ilusão.
Desiluda-se, desfaça os nós, desapegue, seja um nada e se abra para tudo!