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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Tao

O modo de visão do ser humano é limitado. Hora olhamos com olhos científicos, hora olhamos com olhos religiosos, e ambos deixam lacunas, lacunas essas que jamais serão preenchidas, por isso eu me identifico com o tao, por isso me identifico com o zen, o tao e o zen são as próprias lacunas, é o próprio vazio é o modo de entender sem entender, é aceitar a incapacidade humana em dar todas as respostas. Todo nosso sofrimento consiste nessa ansiedade pelo entendimento, nossa mente é geneticamente programada para encontrar respostas, para enxergar problemas, sempre que encontramos uma resposta ela é na verdade uma nova pergunta, o zen é um modo de não perguntar, de dar um tempo e relaxar e desse modo poder sentir o mundo, poder desfrutar, poder ter um pouco de paz, a paz só existe no aqui agora, as perguntas nunca acontecem no aqui agora, os "porques" fazem parte do raciocínio, estar presente no presente é cessar as palavras, as palavras existem para descrever e quando descrevemos deixamos de sentir e passamos a explicar. Por isso uma das passagens mais belas dentro dos poemas de Lao Tsé diz que o tao que se pode explicar já deixa de ser tao, isso faz todo o sentido.
Outro aspecto que me encanta no tao é a visão cósmica única que Lao Tsé lança, e o mais fantástico é que essa visão nunca se desgasta, na bíblia temos o mito da criação em sete dias, hoje isso está antiquado, não faz mais sentido, a visão taoísta nunca ficará antiquada simplesmente porque é verdadeira, e se existe algo belo na verdade é o fato dela ser tão poderosa a ponto de ser imutável, a lei da gravidade nunca deixará de existir, é uma verdade, você pode não acreditar na gravidade? Conhece alguém que escolheu não acreditar na gravidade e saiu por aí voando? A bíblia e muitas outras religiões giram em torno do "Criador", é uma visão muito bela, e de certo modo existe um pouco de sentido nisso, não é uma mentira, é uma meia verdade. Criador é algo muito limitado para descrever o universo para alguém tão simples como Lao Tsé, é um argumento não uma verdade, uma teoria, Lao Tsé era um homem muito simples, e em sua simplicidade ele conseguir ser grande, ele entendeu que ninguém criou nada, tudo sempre existiu, criar e nascer são conceitos do nosso pequeno mundo, de nossa mente limitada, sempre existir é algo cósmico, algo que não podemos entender. Einsten revolucionou a física porque mudou os parâmetros, as pessoas olhavam a física e comparavam a inércia dos planetas com a inércia das leis físicas da Terra, mas essa física não conseguia calcular algumas órbitas com perfeição, por algum motivo ela era limitada, Einsten entendeu que estavam usando parâmetros limitados, porque estavam olhando para dentro da Terra e tentando usar as mesmas regras daqui de dentro para todo o universo, é um grande egocentrismo humano que conduzia a esses erros de cálculos, a correção foi feita e os cálculos fizeram sentido quando aplicaram a teoria da relatividade. Talvez Einsten não soubesse disso (eu prefiro acreditar que ele sabia), mas a mensagem dele é a mesma mensagem de Lao Tsé, uma mensagem cósmica, ele disse que é impossível olhar para o infinito utilizando os parâmetros finitos da nossa humilde existência. Tanto Einsten quanto Lao Tsé foram grandes homens porque foram humildes, aceitaram sua natureza finita.