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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Mais um pedacinho de infinito.



O grande problema é delimitar fronteiras onde elas não são necessárias. O sobrenatural é apenas algo natural ainda não racionalizado, porém, se analisarmos até mesmo com uma mente natural e racional, veremos que o sobrenatural faz parte de nossa ciência. O que é o tempo senão uma força sobrenatural e inexplicável? A ciência diz que todo nosso universo veio de uma grande explosão, mas essa explosão aconteceu como? Espontaneamente? Espontaneamente é algo não explicável, portanto sobrenatural. Não havia espaço nem tempo antes dessa grande explosão, havia apenas o nada. O que é o nada? Ele não pode ser coisa alguma, ele é apenas um conceito abstrato, tal como é o infinito, tal como é Tao. O nada é previsto dentro da ciência, ele é aceitável, faz parte não apenas de uma teoria, mas sim da principal das teorias, a teoria da origem de tudo.

Segundo a ciência moderna, tudo veio do nada. Lao Tsé já o sabia desde 2600 anos antes de cristo. Como ele sabia disso? Como ele conseguia ver tão a frente de sua época? Simplesmente intuição! O que a ciência levou tempo para provar com matemática, ele sabia sentindo a vida ao seu redor, ele sabia com sensibilidade. Se o ser humano tivesse desenvolvido a capacidade de ser um com o todo, não haveria necessidade de calcular o Big Bang, nós apenas saberíamos.
Existem cientistas procurando Deus em fórmulas matemáticas, eu não duvido que possam prová-lo assim, mas o que isso significaria, eles lhe mostrariam uma grande fórmula cheia de letras e números e diriam "isso é Deus, adore-o". Para mim isso é tão infantil quanto acreditar no velho barbudo que nos espera num trono distante e nos julga como um carrasco cruel. Ambos são racionais, ambos são limitados a finitude humana. Se Deus, se o Tao, pudessem ser provados, eles deixariam de ser o que são. Quer um exemplo melhor? Consegue provar o infinito? Você só poderia provar a existência do infinito se conseguisse percorre-lo completamente. Não adianta percorrer 1 milhão de anos luz e dizer "eu olhei mais adiante e vi que não tinha fim", isso dentro da razão é inaceitável, para que algo exista você precisa de provas, mas para provar o infinito você teria que percorrer o infinito ou encontrar algo que já o tenha percorrido, mas se algo o percorrer significa que ele tem fim, então entramos em um paradoxo. Logo o infinito não existe! Cientificamente ele não deveria existir, acreditar nele (ainda que a matemática o prove) é uma questão de fé, assim como acreditar no nada é uma questão de fé, acreditar no universo todo é uma questão de fé, fé para quem não sente, quem consegue ser um com o todo não precisa de fé, para ele o infinito, o nada, Tao, Deus, não são conceitos distantes e imaginários, são palpáveis, não pelos sentidos finitos do corpo humano, mas pela intuição, pelo que os místicos chamam de "terceira visão".

Os religiosos costumam ter fé, eles apenas usam o sobrenatural para explicar o que a ciência ainda não tocou, e aí mora toda a guerra ciência versus religião. Os cientístas também costumam ter fé, eles acrecitam em Big Bang, na existência do nada, acreditam em tudo que é natural e negam religiosamente qualquer coisa que ainda não tenha entrado no seu campo de visão finito, estão limitados ao que sabem e ignoram sua própria ignorância, até que provem o contrário. Uma pessoa mística apenas sabe. Sabe, mas nem sempre pode provar racionalmente.
O verdadeiro místico, não se usa de misticismo pra explicar nada, nem mesmo a morte, ser místico não é acreditar em algo, mas experenciar algo. Religiosos acreditam em deuses distantes, que os esperam em lugares distantes ao qual só podemos chegar depois da morte, religiosos não vivem no presente. Vivem uma fantasia, um faz de conta, apostam alto nessa fantasia, apostam toda sua vida nisso, literalmente. Se você perguntar a um monge taoísta, ou um monge zen, "O que acontecerá comigo quando eu morrer?" ele provavelmente responderá "Não sei!". Não é a toa que o ocidente considera o taoismo e o budismo como religiões ateístas, mas elas não são exatamente ateístas! Eles não acreditam em Deus, isso é verdade, mas eles vivem Deus, eles são deuses de si mesmos, eles sentem deus.

Você não pode percorrer o infinito para prová-lo, mas você certamente está dentro dele, é parte dele, pode sentí-lo. Tao não é um deus distante, Tao é o próprio infinito, aliás, não existe Tao no futuro, Tao só pode ser experenciado no aqui e agora, só se sente ele com meditação, com deleite, com o abandono da fé e também o abandono da razão, com o abandono, mesmo que momentâneo tanto da ciência, quanto da religião. Ele não existe em teorias, não é uma espera. É o sobrenatural que se pode tocar, o natural que não se pode explicar. O próprio paradoxo criador do universo. O "nada" dos cientistas, o espírito santo dos católicos, o Zen dos budistas. Ele é o que não se pode ser. Não posso explica-lo, as palavras são tão limitadas que me desespero me desdobrando em mil argumentos, mal consigo senti-lo no meio da poluição de minha própria mente racional, cheia de crenças e ego, sua simplicidade e pureza é tamanha, que minha mente complexa por vezes o ignora, mas espero ser uma seta que o indica, a você e a mim mesmo, ele está aqui e agora.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A visão assustadora de Naropa (Um conto por Osho)


"A verdade é sua própria experiência, sua própria visão. Mesmo que eu tivesse visto a verdade e a contasse a você, na hora que eu a contar, ela irá se tornar uma mentira para você, não uma verdade. Para mim era uma verdade, para mim ela veio através dos olhos. É minha visão. Mas não será sua visão, será uma coisa emprestado. Será uma crença, será conhecimento, mas não saber. E se você crer nisso, estará acreditando numa mentira.

Agora lembre-se. Mesmo uma verdade torna-se uma mentira se entrar em você pela porta errada. A verdade tem que entrar pela porta principal, através dos olhos. A verdade é uma visão, precisa ser vista com seus próprios olhos.

Naropa era um grande erudito, um grande sábio, tinha dez mil discípulos. Um dia estava sentado cercado por milhares de escrituras – antigas, bem antigas e raras. Subitamente ele caiu no sono, devia estar cansado, e teve uma visão.

Ele viu uma mulher muito velha, bem feia, horrível – uma bruxa. A feiúra dela era tal que ele começou a tremer no sonho. Era tão nauseante que ele queria fugir – mas fugir para onde, para onde ir?

Ele foi apanhado, como que hipnotizado pela velha bruxa. Os olhos dela eram como magnetos.

“O que você está estudando?” perguntou a velha.

Ele disse, “Filosofia, religião, epistemologia, linguagem, gramática, lógica.”

O velha perguntou de novo, “Você entende tudo isso?”

Naropa disse, “É claro... Sim, eu as compreendo.”

“Mas você compreende as palavras, ou o sentido?” A mulher perguntou novamente.

Milhares de perguntas foram perguntadas a Naropa na vida dele – milhares de estudantes sempre perguntando, inquirindo. Mas ninguém havia perguntado isso: se ele entendia as palavras ou o sentido. E os olhos da mulher eram penetrantes, olhos que iam até as profundezas de seu ser, era impossível mentir para ela. Para qualquer outro ele teria dito, “É claro que compreendo o sentido,” mas para essa mulher, essa mulher de aparência medonha, ele tinha que dizer a verdade. Ele disse, “Eu entendo as palavras.”

A mulher ficou muito feliz. Começou a dançar e a rir, e a feiúra dela foi transformada; uma beleza sutil começou a surgir nela. Pensando, “Eu a fiz tão feliz. Porque não fazê-la ainda mais feliz?” Naropa então disse, “E sim, eu também entendo o sentido.”

A mulher parou de rir, parou de dançar. Ela começou a chorar e a lamentar-se e toda sua feiúra voltou, mil vezes pior. Naropa perguntou: “Porque você está chorando e lamentando-se? E por que estava antes rindo e dançando?”

Ela respondeu: “Eu fiquei feliz porque um grande erudito como você não havia mentido. Mas agora estou chorando e lamentando porque você mentiu para mim. Eu sei – e você sabe – que você não compreende o sentido.”

A visão desapareceu e Naropa havia sido transformado. Ele fugiu da universidade e nunca mais tocou numa escritura novamente na sua vida. Tornou-se completamente ignorante, pois compreendeu que a mulher não era ninguém de fora, era somente uma projeção. Era o próprio ser de Naropa, que, através do conhecimento, havia se tornado tão feio. Bastou esse bocado de entendimento, a de que ele não compreendia o sentido, para que a feiúra se transformasse em algo belo.

A visão de Naropa é muito significativa. A menos que você sinta que o conhecimento é inútil, você nunca estará em busca da sabedoria. Você irá carregar a moeda falsa, pensando tratar-se de um tesouro verdadeiro. Você precisa perceber que o conhecimento é uma moeda falsa, pois não é saber, não é entendimento. No máximo o conhecimento é algo intelectual: a palavra foi entendida, mas o sentido se perdeu."

Osho

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Não faz sentido...



A vida não precisa fazer sentido se você está bem, se você procura algum sentido é porque lhe falta a capacidade de sentir. Quando estamos satisfeitos, pouco importa se a vida faz sentido ou não, apenas desfrutamos e sendo assim tudo milagrosamente faz um enorme sentido.