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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Blasfêmea

Dois amigos viviam em harmonia num pequeno vilarejo, cada um com sua esposa e filhos. Deus decidiu que estava na hora de matar suas famílias, e assim o fez. Enviou uma tempestade violenta, os únicos sobreviventes foram os bons amigos.
Um deles reagiu com muita calma, ele segurou seus sentimentos e até agradeceu a Deus.
Ele se ajoelhou e disse:
-Obrigado Senhor, pela oportunidade de crescimento, pelo sofrimento que me enviou, e por eu estar vivo, cuide bem de minha família, amo muito Você!
O outro não se segurou, chorou muito, gritou, suas mãos sangravam enquanto ele socava o chão e dizia:
-Maldito seja o nome do Senhor! Seu imbecil, meu filho tinha apenas dois anos, como pode ser tão insensível! Você só não é um Corno porque não tem esposa, só não é um Filho da puta porque não tem mãe!
Por coincidência, os dois homens morreram dez anos depois, no mesmo dia, e foram para os portões do Paraíso juntos, onde encontraram o Criador.
Deus disse:
-Você aí, blafemou contra meu nome, quando eu matei toda sua família, pode entrar, querido amigo, sua esposa e filhos te esperam.
-Obrigado Senhor, eu estava muito nervoso aquele dia, mas passou.
Deus olhou para o outro homem e disse:
-Você vai para o inferno.
Ele sem entender, questionou:
-Mas Senhor, fui tão compreensivo, tão maduro, aceitei de braços abertos minha perda, o outro homem profanou seu santo nome, isso é injusto!
Deus respondeu:
-Eu sei o que é justo. Ele foi autêntico, brigou comigo, expressou o que seu coração sentia, não se reprimiu, só pode estar perto de Deus quem encontra sua verdade interior, mentir para Deus é impossível, não me importo com o que a boca fala, palavras são invenções suas, eu escuto o coração. E você, por não ter se expressado, guardou mágoas, mentiu para si mesmo, mentir para si mesmo é mentir para Deus, não somos íntimos, você não foi sincero comigo, seu lugar é o inferno, quem gosta de falsidade é o Tinhoso.

Se você for sincero consigo mesmo, o Paraíso estará muito próximo.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O intelectual, o religioso e o místico

A idéia de um deus, de tao, do infinito é realmente inaceitável para a mente.
Quando pensamos nisso, parece uma grande tolice, isso tudo subestima a inteligência humana.
Porém, quando se experencia, quando se sente, parece tolice não aceitar isso, parece subestimar a inteligência pensar de um modo diferente.
Nesse momento existe uma grande integração entre a razão e a experiência, entre o sentir e o raciocinar, e desse modo encontramos uma inteligência mais verdadeira, mais pessoal, mais autêntica.
A verdadeira inteligência, passa do experenciar, do sentir, para a razão.
Essa é a diferença entre um intelectual, um religioso e um místico: O intelectual possui a razão, mas ignora o sentir, um religioso sente, mas ignora sua razão, o místico sente e entende. O místico se esforça para atingir o que é compreensivo, mas também busca o que não se pode compreender.